TIROCÍNIO POLICIAL E FUNDADA SUSPEITA

UMA ANÁLISE DA EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL NA INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 244 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL

Autores

  • Polyanna Laura Cardoso Sena do Amaral
    Interesses conflitantes

    Não tem.

  • Noélio Marques Pereira Filho https://orcid.org/0009-0007-3481-7720
    Interesses conflitantes

    Não tem.

  • Lucas dos Santos França
    Interesses conflitantes

    Não tem.

DOI:

https://doi.org/10.29327/

Palavras-chave:

Tirocínio Policial, Fundada Suspeita, Abordagem Policial

Resumo

O presente trabalho examina o papel do chamado tirocínio policial na formação da  fundada suspeita prevista no artigo 244 do Código de Processo Penal brasileiro. O  estudo parte da análise de decisões recentes do Superior Tribunal de Justiça que  têm discutido os limites jurídicos das abordagens policiais realizadas sem mandado  judicial, especialmente quando fundamentadas na experiência profissional do  agente. Nesse contexto, busca-se investigar em que medida o tirocínio policial pode  ser compreendido como elemento relevante para a caracterização da fundada  suspeita. A pesquisa adota abordagem qualitativa e exploratória, com revisão  bibliográfica e análise documental da jurisprudência. No plano teórico, o estudo  dialoga com a epistemologia do conhecimento prático, especialmente com o  conceito de conhecimento tácito desenvolvido por Michael Polanyi, e com a teoria da  tomada de decisão baseada no reconhecimento de padrões em contextos de risco,  formulada por Gary Klein. Em perspectiva sociológica, recorre-se ao conceito de  habitus, de Pierre Bourdieu, como instrumento analítico para compreender a  formação de disposições perceptivas decorrentes da prática profissional. A partir  dessas referências, analisa-se o tratamento jurídico da experiência profissional no  debate contemporâneo sobre a fundada suspeita e suas implicações para a  interpretação do artigo 244 do Código de Processo Penal. 

 

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Polyanna Laura Cardoso Sena do Amaral

    Polícia Militar da Paraíba (PMPB), João Pessoa, Paraíba, Brasil.

    Mestra em Políticas Públicas, Gestão e Avaliação do Ensino Superior pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas na Administração Pública pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em Segurança Pública pela Polícia Militar da Paraíba (PMPB) e em Docência em Segurança Pública pela Faculdade Iguaçu. Graduanda em Direito pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Docente do Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar da Paraíba (PMPB). Coordenadora-Geral do Curso de Formação de Soldados (CFSd) 2024 e coordenadora de Ensino, Treinamento e Pesquisa da PMPB.

  • Noélio Marques Pereira Filho

    Polícia Militar da Paraíba (PMPB), Diretoria de Educação e Cultura (DEC), João Pessoa, Paraíba, Brasil.

    Bacharel em Administração pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Tecnólogo em Segurança Pública pela Polícia Militar da Paraíba (PMPB). Graduando em Segurança Pública e cadete do 2º ano do Curso de Formação de Oficiais da Diretoria de Educação e Cultura da Polícia Militar da Paraíba (DEC/PMPB).

  • Lucas dos Santos França

    Polícia Militar da Paraíba (PMPB), Diretoria de Educação e Cultura (DEC), João Pessoa, Paraíba,Brasil.

    Licenciado em Geografia pelo Centro Universitário de Maringá (Unicesumar). Especialista em Metodologia do Ensino de Geografia pela UniFatecie. Tecnólogo em Segurança Pública pela Polícia Militar da Paraíba (PMPB). Graduando em Segurança Pública e cadete do 2º ano do Curso de Formação de Oficiais da Diretoria de Educação e Cultura da Polícia Militar da Paraíba (DEC/PMPB).

Referências

ALCADIPANI, Rafael. A rotina do trabalho policial: entre a teoria e a prática nas ruas. Revista Brasileira de Segurança Pública, v. 12, n. 2, p. 15-32, 2018. Disponível em: https://revista.forumseguranca.org.br/rbsp/issue/view/26. Acesso em: 11 mar. 2026.

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.

BOURDIEU, Pierre. O senso prático. Petrópolis: Vozes, 1990.

BRASIL. Superior Tribunal de Justiça (3. Seção/3. Turma). Habeas Corpus n. 877.943/MS. Relator: Ministro Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18 abr. 2024, DJe 15 maio 2024. Disponível em: https://scon.stj.jus.br. Acesso em: 28 ago. 2026.

BRASIL. Superior Tribunal de Justiça (6. Turma). Habeas Corpus n. 659.689/DF. Relator: Ministro Rogério Schietti Cruz, 24 ago. 2021. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/stj/1919759238/inteiro-teor-1919759242. Acesso em: 11 mar. 2026.

BRASIL. Superior Tribunal de Justiça (6. Turma). Recurso em Habeas Corpus n. 158.580/BA. Relator: Ministro Rogério Schietti Cruz, 19 abr. 2022. Disponível em: https://www.stj.jus.br/sites/portalp/SiteAssets/documentos/noticias/RHC%20158580%20Ministro%20Rogerio%20Schietti%20Cruz.pdf. Acesso em: 12 mar. 2026.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal (Pleno). Habeas Corpus n. 208.240/SP. Relator: Ministro Edson Fachin, julgado em 11 abr. 2024. Disponível em: https://portal.stf.jus.br. Acesso em: 28 ago. 2026.

CERQUEIRA, Daniel. Causas e consequências do crime no Brasil. Rio de Janeiro: BNDES, 2014.

CRUZ, Rogério Schietti. Prisão cautelar: dramas, princípios e alternativas. 5. ed. Salvador: Juspodivm, 2021.

FASSIN, Didier. A força da ordem: uma etnografia do fazer policial. Tradução de Marcos Lanna. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2013.

KANT DE LIMA, Roberto. A polícia da cidade do Rio de Janeiro: seus dilemas e paradoxos. Rio de Janeiro: Forense, 1995.

KLEIN, Gary. Sources of power: how people make decisions. Cambridge: MIT Press, 1998.

LAFAVE, Wayne R. Search and seizure: a treatise on the Fourth Amendment. 4. ed. St. Paul: Thomson/West, 2004.

LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal: volume único. 8. ed. Salvador: Juspodivm, 2020.

LOPES JR., Aury. Direito processual penal. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2021.

MUNIZ, Jacqueline. “Ser policial é, sobretudo, uma razão de ser”: cultura e cotidiano da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. 1999. Tese (Doutorado em Ciência Política) – Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), Rio de Janeiro, 1999.

NUCCI, Guilherme de Souza. Curso de direito processual penal. 17. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2020.

PACELLI, Eugênio. Curso de processo penal. 25. ed. São Paulo: Atlas, 2021.

POLANYI, Michael. The tacit dimension. New York: Doubleday, 1966.

PONCIONI, Paula. Ser policial: a construção da identidade profissional da Polícia Militar. São Paulo: Alameda, 2021.

PRADO, Geraldo. A cadeia de custódia da prova no processo penal. São Paulo: Marcial Pons, 2014.

REINER, Robert. A política da polícia. Tradução de Eliana Rocha. São Paulo: Edusp, 2010.

ROSA, Alexandre Morais da. Guia do processo penal conforme a teoria dos jogos. 6. ed. Florianópolis: Emais, 2020.

SAPORI, Luís Flávio. Segurança pública no Brasil: desafios e perspectivas. Rio de Janeiro: FGV, 2007.

TROJANOWICZ, Robert C.; BUCQUEROUX, Bonnie. Community policing: a contemporary perspective. Cincinnati: Anderson Publishing Company, 1990.

TROJANOWICZ, Robert C.; BUCQUEROUX, Bonnie. Policiamento comunitário: como começar. Tradução de Mina Seinfeld de Carakushansky. São Paulo: Polícia Militar do Estado de São Paulo; Editora Parma, 1999.

Publicado

14/09/2026

Edição

Seção

Artigos PDF

Como Citar

TIROCÍNIO POLICIAL E FUNDADA SUSPEITA: UMA ANÁLISE DA EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL NA INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 244 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. (2026). Revista ESMAT, 18(2), 1-23. https://doi.org/10.29327/